A Democratização na Economia de Mercado  

Se queremos uma economia forte, temos que democratizar o mercado.

POR: DILSON MAJOR

O mercado dita a política económica, democratizar o mercado significa retirar, pela política, o poder do mercado (que só visa o lucro para poucos).

Dilson Major, Economista © Viva Portal

“Esta crise financeira, económica e desastrosa de Angola, está amarrada no desemprego selvagem, afectando a maioria da população que é jovem.

É preciso fazer com que as pessoas se libertem do desemprego, fazer com que as iniciativas privadas despertem a liberdade de criar, inovar, e que o investimento público se recupere.

A teoria económica prevalecente não esta ajudar “na saída da crise’ o que está a acontecer e ‘sim” é de justificar o que “eles” querem que aconteça, que a população economize para pagar os impostos ao estado cruel, criador em parte da situação crítica que o País atravessa.

Temos assistido à repetição retórica dessa linha teórica, “Vamos diversificar a economia” não podemos diversificar sem abertura de iniciativas, serviços públicos, educação e saúde ao dispor de todos com qualidade e eficácia.

É necessário que os grupos que comandam o país, deixem de ver a democracia como um obstáculo. “Esse discurso dominante enxerga a democracia como um custo, enxerga o Estado de bem-estar e os serviços públicos como barreiras ao crescimento, e como causa desse mal económico que o Pais vive”.

” Os dominantes tentam livrar a sociedade das suas próprias escolhas e escolher por elas, para benefícios deles”. É esta a grande razão do subdesenvolvimento social e económico de Angola.

“A desigualdade é um obstáculo para qualquer tipo de crescimento económico, por isso, a inclusão social, não apenas de renda, mas também de serviços públicos, como habitação condigna, transporte, saúde e educação, são fundamentais para catapultar a diversificação da economia e retomar a prosperidade do povo.  

“Queremos desenvolvimento social, satisfação das necessidades básicas da população com respeito aos limites da democracia, investimento rigoroso em ciência, pesquisa, tecnologia, mas que elas estejam ao serviço das pessoas, da classe trabalhadora, do povo Angolano com iniciativas empreendedoras, e não ser apropriadas “por aqueles que querem ampliar a exploração, a acumulação primitiva do capital e aumentar suas fortunas por defraudação ao estado”.

As finalidades económicas e sociais de uma economia democratizada, estimula a criação de novos mercados, dá resposta às novas necessidades sociais, geração de emprego, inclusão social, reforço do Investimento interno como “Conjunto de Actividades que contribuem para a democratização da economia a partir do compromisso dos cidadãos”.

Ela se expressa de diversas formas:

  • da maneira mais directa, através dos aspectos estatutários das sociedades mutualistas, cooperativas, associações, etc. que a compõem, que propõem uma governação democrática das iniciativas;
  • pela tomada de decisão colectiva entre os actores sociais (comunidades locais, mas também profissionais, desempregados, mulheres, idosos, jovens, investidores, etc.) acerca de toda uma série de variáveis económicas (definição das necessidades sociais a serem satisfeitas, organização da produção, “preço justo” no comércio justo ou nos sistemas de moedas sociais, critérios produção com incentivos fiscais, comercialização, consumo, investimentos, etc.).

Além destes aspectos mais associados a uma forma de gestão, trata-se de um projecto político alternativo de transformação social, na qual Angola nessa Transição Política deve adoptar com urgência.

  • através da adesão aos princípios de redistribuição e de reciprocidade, à margem do Estado e do mercado;
  • O Assunto da institucionalização e despartidarização do estado é um degrau a subir para a democratização dos serviços.
  • finalmente, através do estabelecimento no espaço económico de novas formas de cidadania, de compromisso dos cidadãos, articulando assim um novo espaço público de proximidade entre cidadania e economia.

Temos de democratizar o mercado, não basta regular a economia de mercado, é necessário democratiza-la e reconstruir as instituições que as definem.

Bem-haja!

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