FONTEANGOP
© Portal Áfricas

POR: ANGOP

Os burundeses vão às urnas na quinta-feira, num controverso referendo sobre uma reforma constitucional que poderá permitir o Presidente, Pierre Nkurunziza, manter-se no poder pelo menos até ao ano 2034, noticiou a AIM.

Nkurunziza, de 54 anos, lidera o país desde 2005. Recentemente, foi proclamado pelo seu partido de “líder supremo eterno”, bem como advertiu todas as pessoas que queiram impedir ou inviabilizar o referendo, afirmando que terão de “lidar com Deus”.

Entretanto, o activista dos direitos humanos burundês, Pierre-Claver Mbonimpa, disse que independentemente dos resultados do referendo, o povo do Burundi não vai aceitar mudanças no país.

“Este referendo foi convocado por um Presidente ilegal. Mesmo se houver mudanças constitucionais, vão apenas alterar a constituição do Presidente, não a constituição do Burundi,” disse Mbonimpa. Contudo, observadores dizem que uma oposição dividida poderá não conseguir impedir Nkurunziza de se manter no poder.

Contudo, as reformas serão adoptadas se 50 por cento de votos mais um voto depositados estiverem a favor do processo.

Mbonimpa manifestou a sua confiança de que a comunidade internacional não se vai limitar a assistir as pretensões de Nkurunziza. Referiu que a União Africana (UA) e Estados Unidos da América têm vindo a condenar o processo.

“Não acredito que a UA e a Comunidade da África Oriental vão aceitar que Nkurunziza continue a liderar o país por mais tempo”, frisou.

A insistência de Mbonimpa para uma solução pacífica e negociada da tensão política ocorre numa altura em que um grupo de homens armados, chamado pelo governo de “terrorista”, matou, na semana passada, 12 pessoas na aldeia de Ruhagarika, na província de Cibitoke. Activistas dizem que as mortes estão associadas com o referendo.

A reeleição de Nkurunziza resultou em violência que causou a morte de mais de mil pessoas e fez deslocar outras 400 mil para os países vizinhos.

No início do mês corrente, o governo burundês suspendeu as emissões da BBC e Voz da América por um período de seis meses, acusando-as de disseminar ideias que desacreditam o Presidente Nkurunziza.

A oposição receia que o referendo de quinta-feira venha a inviabilizar os Acordos de Arusha, na Tanzânia, concluídos em 2000, que puseram fim à uma guerra civil que, em três anos, matou mais de 300 mil pessoas.

Facebook Comments