FONTEVIVA PORTAL
José de Lima Massano, governador do [email protected]

Nos últimos três anos, o rácio de crédito malparado mais que duplicou passando de 11% em Dezembro de 2015 para cerca de 26% em Junho de 2018, segundo avançou o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano.

Explicou que este aumento das dificuldades de reembolso dos empréstimos por parte das famílias e empresas, é mais sentida nos sectores do comércio, construção e actividade imobiliária, reflexo do ritmo de crescimento da economia nos anos mais recentes.  

“Daí que o incremento da rentabilidade da banca comercial deriva, essencialmente, do aumento de resultados cambiais e de proveitos obtidos em títulos e valores mobiliários, divergindo da concessão de crédito à economia”, disse.

José de Lima Massano que falava hoje, em Luanda na abertura da 12ª edição do “Estudo Banca em Análise”, acrescentou que trata-se de uma preocupação acrescida e que “vimos partilhando com a Associação Angolana de Bancos e outros intervenientes institucionais no sentido de em conjunto encontramos os melhores caminhos para o aumento da concessão do crédito, mas em condições de maior segurança”.

No que toca à adequação de capital, apesar do sistema financeiro se encontrar acima dos níveis mínimos estabelecidos, assegura que o risco existente na carteira de crédito poderá implicar o aumento das imparidades, com impacto negativo na solvabilidade regulamentar das instituições financeiras bancárias.

Aclarou que o BNA entre outras responsabilidades, compete garantir que o processo de intermediação financeira aconteça num ambiente de contínua estabilidade do próprio sistema financeiro, estimulando-se a poupança, o investimento e com isso, o crescimento económico e a inclusão social.

“A existência de estabilidade financeira é também fundamental para que haja uma política monetária eficaz. Dificilmente o Banco Central executará a função de preservação do valor da moeda se, amiúde, conceder liquidez na forma de redesconto a instituições financeiras com problemas estruturais no seu balanço”, referiu o governador.  

Realçou que igualmente que o índice de estabilidade do sistema bancário tem vindo a degradar-se desde 2015, estando em Março de 2018 avaliado em 31%, mas às previsões do Banco Mundial, do FMI bem como às do BNA apontam para melhoria dos índices de estabilidade do sistema bancário no presente semestre.

Esta é a 12.ª edição do estudo Banca em Análise da Deloitte, que na sua apresentação contou com a presença de gestores de instituições públicas do Estado e dos bancos.

Facebook Comments

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here