FONTENovo Jornal
João Lourenço, Presidente da República de [email protected]

Ousados discursos elevaram rapidamente a popularidade de João Lourenço. Após um ano de governação de consensos, JLO vê limites das intenções cada vez mais apertados. Eleitores exigem realizações. Novo Jornal recorda 12 factos que marcaram, até aqui, o percurso do terceiro PR da história de Angola.

Foi logo no primeiro discurso de João Manuel Gonçalves Lourenço, já na pele de terceiro Presidente da história de Angola, na manhã de 26 de Setembro de 2017, na Praça da República, bem no litoral da cidade de Luanda, que se começou a desfazer a rotulagem pré-eleitoral de que se estava perante um candidato a Presidente da República que seria uma “extensão” de José Eduardo dos Santos.

Tais cepticismo eram alimentados sobretudo pelo contexto em que João Lourenço chegou ao mais alto cargo da governação do país: foi através de uma indicação de José Eduardo dos Santos que o ex-ministro da defesa (general de patente) e antigo vice-presidente da Assembleia Nacional chegará a condição de candidato às eleições de 23 de Agosto de 2017, ganhas pelo MPLA.

De discurso a discurso, João Lourenço continuo a contrariar os prognósticos feitos à volta do seu real poder.

Com abordagens ousadas e frontais, centradas numa disposição de combate a males como o enriquecimento ilícito, a corrupção e o nepotismo, JLo rapidamente conquistou simpatia, até entre os mais críticos da governação do partido que representa – MPLA.

Com a chave do Palácio da Cidade Alta nas mãos, João Lourenço abriu a porta a um conjunto de mexidas no aparelho governativo, que animou e agitou a política nacional.

Foi, por isso, chamado, entre outras alcunhas, de «O exonerador implacável». O tsunami de exonerações arrastou para fora das instituições públicas dirigentes antes tidos como «intocáveis».

João Lourenço serviu-se ainda de medidas no plano económico, particularmente colocando termo aos vários monopólios, para ver reforçada a sua popularidade. A referência ao reformista chinês Deng Xiaping, como fonte de inspiração, não parecia uma mera retórica.

Diplomacia económica

A entrada «de rompante» de João Lourenço na Presidência do País fez igualmente eco a nível internacional, com o novo Presidente de Angola a ocupar páginas de destaque de renomados jornais mundiais.

Não obstante os sinais de autonomia dados por João Lourenço através da ousadia dos discursos, mediáticas exonerações e medidas que se impunham, há quem ainda colocasse em causa o pleno poder do terceiro Presidente de Angola.

Os que assim procediam recorriam à instalação da bicefalia, consubstanciada na existência de dois poderes: a Presidência da República entregue a João Lourenço e a liderança do partido que sustenta o governo ainda sob tutela do veterano José Eduardo dos Santos.

Obstáculo ou não à governação de João Lourenço, a bicefalia acabou por conhecer o termo recentemente, com a realização do VI congresso extraordinário do MPLA, que marcou o fim da vida política activa de José Eduardo dos Santos, que liderou o partido e o país desde 1979.

Agora, com os poderes do partido também sob seu comando e há já 12 meses na condução dos destinos do país, João Lourenço tem pela frente um povo que vai dando sinais de algum desgaste com «bons discursos», exigindo, cada vez mais, resultados concretos do programa eleitoral que levou o MPLA à vitória nas eleições de 23 de Agosto do ano passado.

 

Facebook Comments