FONTEJornal de Angola
Médicos declaram três dias de [email protected]

Muitos médicos angolanos, colocados em unidades de saúde públicas, enfrentam problemas psicológicos, em função das condições precárias em que trabalham e vivem actualmente, considerou ontem, em Luanda, o presidente do Sindicato Nacional de Médicos Angolanos (Sinmea).

Adriano Manuel, que falava em exclusivo para o Jornal de Angola, em torno do Dia Nacional do Trabalhador da Saúde, que se assinala hoje, em homenagem ao médico Américo Boavida, justificou a afirmação ao facto de os profissionais enfrentam diariamente, nos seus postos de trabalho e fora destes, uma carga psicológica muito elevada.

“De uma forma geral, nós, médicos do sistema da função pública, somos doentes, do ponto de vista psicológico. Temos muito stress. E a Organização Mundial da Saúde afirma que saúde é, também, estabilidade psicológica, o que não temos”, lamentou o responsável sindical.

O pediatra disse que, nos hospitais do país, os trabalhadores passam por dificuldades de vária ordem, desde a falta de condições sociais, salariais e laborais. Por causa desta última, por exemplo, disse, “nós assistimos os nossos doentes a morrerem todos os dias, por ausência de um determinado equipamento ou medicamento.”

Para o presidente do Sinmea, a falta de condições de trabalho, principalmente de médicos especializados, enfermeiros e de meios de diagnósticos, é dos grandes factores que levam os pacientes a fugirem das unidades primárias e secundárias, para preferirem os hospitais terciários, que deveriam atender somente casos concretos.

Este factor acarreta graves consequências para os grandes hospitais, uma vez que estes perdem a sua capacidade de resposta aos inúmeros casos que a eles acorrem, numa altura em que a falta de recursos humanos (médicos, enfermeiros, maqueiros, catalogadores e outro pessoal de apoio) é ainda um problema longe de se resolver nestas unidades de saúde.

Dadas as dificuldades acima referidas, Adriano Manuel considera que “o Sistema Nacional de Saúde está doente”, tendo em conta que aquele que cura também tem problemas psicológicos graves.

“O que pôde ser de um médico que vive mal, sem salário capaz de lhe possibilitar comprar terreno e construir, ter uma casa, aceder a créditos bancários, ver os filhos numa boa escola e tratar-se a si mesmo em bons cuidados de saúde?”, questionou-se.

Para ultrapassar estes e outros problemas, o sindicato aprovou um caderno reivindicativo, com vários pontos, apresentado ao Ministério da Saúde, a 6 de Julho deste ano. Até agora, não há negociações entre este grupo e a entidade patronal, por o Governo ainda não ter respondido sequer o documento enviado pelo Sinmea.

Quanto ao caderno reivindicativo, o sindicalista afirmou que 70 por cento das reclamações estão direccionadas para a melhoria das condições de trabalho, numa altura em que há médicos que foram colocados no interior dos municípios sem as mínimas condições de habitabilidade.

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