FONTENovo Jornal Online
Mais de 80 famílias que viviam na famosa Ilha Seca começaram a ser realojadas na quarta-feira @DR

Mais de 80 famílias que viviam entre os separadores da estrada da rua da Dira, na famosa Ilha Seca, no Zango III, em Viana, começaram a ser realojadas na quarta-feira, no projecto Bento Kangamba (BK), sem as mínimas condições de acomodação e higiene. Os moradores acusam a Administração Municipal de Viana de má-fé.

O projecto BK ainda não estão criadas as condições de habitabilidade para todas as famílias abrangidas no realojamento, como verificou o NJOnline no local, onde falta água, luz eléctrica e saneamento básico.

Constância Pimentel, moradora há sete anos na Ilha Seca, agora realojada nas casas BK, no Zango III, contou que as condições a que foram submetidas são desumanas.

“Se o governo está a nos fazer um favor, então está a fazer um mau favor, porque as casas não têm portas nem janelas, o chão não está cimentado, não temos fossas, há capim por todo o lado, parece que estamos na mata”, disse.

“A casa que estão a nos dar não têm condições, se já esperamos sete anos, pelo menos que nos dessem casas com portas e janelas e casas de banho. Não sei como é que os nossos dirigentes permitem isto”, lamentou outra moradora.

E, sem parar, atirou na conversa com o NJOnline: “Se querem corrigir o que está mal, não é a nos tirar do pior para o mal. Porque nós estamos sem segurança e sem condições na mesma”, lamentou Teresa Gaspar Domingos de 72 anos.

Domingos António, também morador, diz não sentir a solidariedade da Administração Municipal de Viana, pese embora reconheça que era grande o sofrimento em que viviam nas casas de chapas de zinco, com quase 2,5 m de altura, construídas no meio de uma estrada com muito trânsito, principalmente nas manhãs e às noites.

“Neste momento, não estamos felizes, as condições aqui são desumanas, estávamos à espera por esse momento há sete anos, e não é aquilo que pensávamos receber, hoje apenas recebemos obras, inacabadas, para vivermos com as nossas famílias. Assim sendo, iremos viver com os mesmos problemas de sempre, onde cada elemento faz a sua necessidade maior nos secos e vai deitar no capim”, descreveu.

De referir que esses moradores viviam há sete anos entre os separadores da estrada da rua da Dira, também conhecida como ” Ilha Seca”, em casebres de chapas sem segurança e com fortes risco de atropelamentos.

São no total 126 famílias foram desalojadas pelas fortes chuvas que inundaram e destruíram as suas casas nos bairros do Jika no Alvalade e na Vila Nova, (por de trás da Comarca de Viana) e do reassentamento do Cemitério de Viana, em 2012.

Administração de Viana diz que as pessoas estão agora melhor

Já o administrador municipal adjunto para a área Técnica, Infra-estrutura e Serviços Comunitários, da Administração Municipal de Viana, Fernando Binge, em declarações ao NJOnline, disse que as casas têm paredes e tectos, o que é importante tendo em conta os riscos que essas pessoas corriam estando no antigo local.

“Achamos por bem tirar já as pessoas do risco de vida que corriam para estás condições mínimas, porque na verdade ali, os carros não respeitavam os limites de velocidade e tínhamos quase todas as semanas atropelamento, principalmente às noites”, disse.

“O resto vai se concluir com as pessoas a viverem aí, vamos por água e energia eléctrica mas as próprias pessoas vão ter mesmo de comprar as portas e janelas e colocarem as fossas porque o Estado não pode fazer tudo”, referiu Fernando Binge.

Segundo este responsável da Administração Municipal de Viana, o Estado já deu uma mão aos visados e agora cada munícipe terá mesmo de fazer os acabamentos da sua residência.

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