Produção de petróleo sobe 57.000 barris por dia em Setembro ©DR

Os preços do petróleo cotado em Nova Iorque e Londres atingiram na segunda-feira os seus níveis mais altos desde Novembro de 2014, num mercado receoso de ver as sanções norte-americanas contra o Irão reduzirem a oferta.

Em Londres, o petróleo do Mar do Norte, que serve de referência para Angola, abriu em 85,078 dólares na Intercontinental Exchange, mais 0,10 por cento do que o registado no fecho da sessão de segunda-feira.

O barril de “light sweet crude” (West Texas Intemediate) para entrega em Novembro, referência do petróleo nos Estados Unidos da América (EUA), subiu 2,05 dólares, para fechar nos 75,30 na bolsa de mercadorias nova-iorquina (New York Mercantile Exchange).

Os investidores “continuam a observar com inquietação as perdas associadas ao Irão”, um dos maiores produtores de petróleo, sublinharam os analistas da Schneider Electric.

Mesmo que as sanções norte-americanas contra o Irão só comecem a vigorar em Novembro, já é visível o recuo das exportações iranianas.

A 1,72 milhões de barris por dia, as exportações já estão no mínimo desde Fevereiro de 2016, segundo a agência Bloomberg, que compila informação obtida seguindo os navios  petroleiros por satélite.

Em relação a Abril, caíram 39 por cento, mesmo antes de o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão.

Os intervenientes no mercado observam ao mesmo tempo e com mais atenção como evolui a produção nos EUA e na Arábia Saudita.

As estatísticas semanais da empresa de serviços petrolíferos Baker Hugues divulgadas na sexta-feira indicam que o número de poços de petróleo em funcionamento recuou ligeiramente na semana passada nos EUA, indicando uma potencial baixa da extracção no país.

É particularmente difícil aumentar o número de poços na região entre os estados do Texas e do Novo México, onde a produção de petróleo de xisto bate recordes desde há alguns anos, mas que está sem oleodutos para o transporte.

Donald Trump, que recentemente multiplicou os ataques à subida dos preços do petróleo, voltou a abordar o tema da instabilidade do mercado durante uma conversa telefónica com o rei Salman, da Arábia Saudita, no último sábado, segundo a estação televisiva Al Arabiya.

Os dirigentes sauditas, tal como os russos e os do conjunto dos Estados envolvidos num acordo de limitação da produção, que contribuiu fortemente para a subida dos preços desde o final de 2016, não anunciaram o aumento da sua produção durante a última reunião de monitorização, no final de Setembro, em Argel.

As cotações do petróleo beneficiaram, assim, do compromisso alcançado na noite de domingo sobre um novo acordo de comércio livre para a América do Norte, designado AEUMC, entre o Canadá, EUA e México, em substituição do Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês), datado de 1994.

O novo acordo permite afastar o risco de tensões comerciais perturbadoras a longo prazo do crescimento económico, o que poderia inclusive vir a afectar a procura petrolífera.

Reflexos em Angola
A economia angolana está fortemente ligada às exportações de petróleo e gás. O Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018 foi calculado na base de um preço do petróleo de 50 dólares por barril.

Entre 2008 e 2015, o petróleo contribuiu, de forma consistente, para o total das exportações em Angola, mantendo uma contribuição de 95 e 98 por cento das exportações totais.

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