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Isabel dos Santos retira queixa-crime contra Carlos Saturnino © Primeira Mão

A empresária explica que optou por “não prosseguir” com a queixa crime por difamação por a opinião pública estar “suficientemente esclarecida quanto à verdade”.

Isabel dos Santos, ex-presidente da petrolífera Sonangol, ontem que retirou a queixa-crime num processo de difamação contra o actual presidente do Conselho de Administração da empresa, Carlos Saturnino.

Em comunicado a filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, que a nomeara para a liderança da petrolífera, explica que optou por “não prosseguir” com a queixa crime por difamação por a opinião pública estar “suficientemente esclarecida quanto à verdade e de estarem restabelecidos os factos”.

“No actual contexto de febre político-mediática, decidi não alimentar mais a controvérsia, especialmente porque, depois de todas as minhas detalhadas explicações, tornou-se bastante claro e evidente para a opinião pública que as acções levadas a cabo por Carlos Saturnino foram deliberadamente mal-intencionadas e cujas alegações são infundadas”, lê-se no documento.

No comunicado, Isabel dos Santos sublinhou acreditar que as várias entrevistas que concedeu ao longo deste ano sobre o mesmo assunto, bem como os comentários públicos que efectuou, “foram bastante esclarecedores, no sentido de informar a opinião pública sobre a falsidade das acusações proferidas”.

“As suas [de Carlos Saturnino] acusações não passaram de alegações sem qualquer evidência factual, nem fundamentos, motivados apenas por uma vingança pessoal. Os factos e as verdades sobre o meu exercício enquanto PCA da Sonangol foram por mim amplamente comunicados e provados, não havendo assim necessidade de dar continuidade ao processo”, indicou.

O caso começou em Novembro de 2017, quando o então recém-eleito, Presidente João Lourenço, empossado cerca de mês e meio antes, exonerou Isabel dos Santos do cargo de PCA da Sonangol, nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, à época secretário de Estado dos Petróleos.

Antes de ser nomeado secretário de Estado, Carlos Saturnino foi, até Dezembro de 2016, presidente da comissão executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, tendo sido demitido por Isabel dos Santos, com a acusação de má gestão e de graves desvios financeiros.

“Não é correcto, nem ético, atribuir culpas à equipa que somente esteve a dirigir a empresa no período entre a segunda quinzena de abril de 2015 e 20 de dezembro de 2016”, respondeu na altura Carlos Saturnino.

A 28 de Fevereiro, depois de várias acusações de má gestão que atribuiu à Isabel dos Santos, Carlos Saturnino denunciou a existência de uma transferência de 38 milhões de dólares feita pela administração cessante, após a sua exoneração.

Carlos Saturnino enumerou algumas, sublinhou, “constatações” sobre o grupo Sonangol, que encontrou após a exoneração da anterior administração, liderada por Isabel dos Santos.

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