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ginecologista congolês Denis Mukwege @DR

O ginecologista congolês Denis Mukwege descobriu hoje que foi co-vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2018 quando estava na sala de operações da sua clínica Panzi, em Bakavu, onde opera vítimas de violência sexual.

O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído a Denis Mukwege e à ativista de direitos humanos Nadia Murad, pelo trabalho que desenvolvem para “acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra”, justificou hoje o comité que atribui o Nobel.

Denis Mukwege, com 63 anos, é um médico ginecologista congolês que tem desenvolvido uma ação humanitária na República Democrática do Congo (RDC), onde trata os danos físicos de mulheres que foram violadas por milícias na guerra civil do Congo, chegando a realizar mais de 10 cirurgias por dia.

Hoje, quando soube que tinha sido galardoado em Oslo, Mukwege estava na sala de operações.

“De repente, as pessoas entraram e contaram-me as notícias”, disse Mukwege ao jornal norueguês VG, em Bukavu, onde vários jornalistas internacionais se juntaram para obter uma reação.

“Mukwege estava em plena operação quando soube da notícia, mas ele já acabou e está muito feliz, as pessoas estão a comemorar e a gritar com alegria”, confirmou um pneumologista sueco presente no local, Ellinor Ädelroth, citado pela agência de notícias sueca TT.

O médico congolês deu uma entrevista à Lusa em julho do ano passado, ao longo da qual criticou a “metástase da violência” na região de Kasai, no centro do país, defendendo que os grupos rebeldes que atuam na RDC devem ser desarmados também no âmbito psicológico.

“Vemos mais e mais mulheres a chegar do centro do país onde antes não havia conflito. Isso é resultado de uma metástase da violência e dos acordos de paz que não se respeitam. Na verdade, é preciso que estes grupos sejam desarmados mentalmente, no plano psicológico, o que não está a ser feito”, disse à Lusa.

Com uma feição suave e serena, Mukwege mantém uma rotina agitada no Hospital Panzi do qual é fundador e cirurgião-geral. O hospital localiza-se na comuna de Ibanda, na cidade de Bukavu, capital de Kivu do Sul.

Mesmo após ter sobrevivido a um ataque violento contra a sua família e uma tentativa de assassínio há seis anos, Mukwege dedica grande parte do seu tempo a cuidar dos doentes, a realizar consultas e cirurgias no hospital.

Desde 1999 quando criou o hospital, ele e sua equipa já trataram mais de 50 mil sobreviventes de violência sexual, a maioria mulheres e crianças vítimas do conflito que assola o país há, pelo menos, vinte anos.

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