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O gestor do projecto Ondjango Yetu (afecto as FAA) o general José Arsénio Manuel foi confrontado hoje, pelo Tribunal Supremo, com uma missiva que endereçou ao Presidente da República para viabilizar os projectos de investimentos que seriam financiados pela Centennial Energy Company Limited, no valor de USD 50 mil milhões.

Durante o interrogatório, Arsénio Manuel foi questionado sobre as razões que o levaram a enviar tal ofício ao Presidente da República, se este procedimento não deveria ser feito pela Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP).

Na sessão desta terça-feira, decorrida na 3ª Câmara Criminal do Tribunal Supremo, o gestor do projecto Ondjango Yetu disse que era normal uma instituição do género informar ao Titular do Poder Executivo sobre as intenções da cooperativa.

Reconheceu, entretanto, que procedimentos posteriores teriam de passar pela Unidade Técnica Para o Investimento Privado (UTIP). Segundo consta nos autos, na carta enviada ao Titular do Poder Executivo, os promotores do denominado financiamento de USD 50 mil milhões teriam, entre outros, se comprometido em liquidar a dívida pública do país em troca de concessões mineiras.

O colectivo de juízes questionou, também, o réu se era também normal o general Afonso Lopes Teixeira, na qualidade de assessor e colaborador da cooperativa, endereçar uma missiva ao Presidente da República para interceder no projecto, respondendo que o seu assessor “fê-lo por interesse da própria cooperativa”.

Confirmou, entretanto, que além da UTIP, ele e o réu Raveeroj Ritchteanam, figura principal neste processo dos 50 mil milhões de dólares, participaram num encontro em que estiveram presentes o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, o ministro das Finanças, Archer Mangueira e o actual ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu.

Disse que nesse encontro, bastante curto, os auxiliares do Titular do Poder Executivo questionaram apenas se o referido projecto teria custos para o Estado.

Arsénio Manuel disse, perante o colectivo de juízes, que apresentou uma queixa-crime junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) contra Celeste Brito e o tailandês Raveeroj Ritchteanam, por se considerar vítima dos promotores deste projecto de USD 50 mil milhões.

Em declarações durante a audiência de julgamento do designado caso “Burla Tailandesa”, Arsénio Manuel acusou a consultora financeira Celeste Brito e o tailandês Raveeroj como sendo os principais promotores deste processo em Angola, considerando-se vítima desses dois.

Disse que tomou conhecimento da carta de chamada supostamente subscrita pelo vice-presidente da República através do tailandês Raveeroj Ritchteanam, mas não soube precisar o conteúdo completo da suposta missiva.

Disse que, a determinada altura, Celeste Brito e o tailandês Raveeroj Ritchteanam entraram em rota de colisão.

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