FONTEJornal de Angola
Localidades podem estar livres do analfabetismo @DR

Um plano de acção, com vista a intensificação da alfabetização e educação de jovens e adultos, vai ser submetido brevemente ao Conselho de Ministros, no sentido de permitir o aumento da taxa de letrados no país para 82,8 por cento, contra os actuais 75,3%, revelou ontem, em Luanda, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social.

Manuel Nunes Júnior falava na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento entre os ministérios da Educação e do Interior sobre o combate à alfabetização da população penal, rubricado ontem pelos secretários de Estado do Interior, José Bamóquina Zau, e da Educação para o Ensino Pré-Escolar e Geral, Joaquim Felizardo Cabral, no Estabelecimento Prisional de Calomboloca, no município do Icolo e Bengo.

O ministro de Estado assegurou que o Executivo vai reactivar a Comissão Nacional de Alfabetização e trabalhar para erradicar o analfabetismo nas instituições, reduzindo o número de iletrados e as pessoas com baixo nível de escolaridade.

Ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social considerou o combate ao analfabetismo como uma exigência nacional, sendo que, para alcançar as metas preconizadas, o Executivo vai mobilizar toda a sociedade, as Forças Armadas Angolanas, Polícia Nacional, partidos políticos, ONG, sociedade civil e organizações internacionais.

Manuel Nunes Júnior reafirmou que o combate ao analfabetismo é uma prioridade indispensável do Executivo para o processo de desenvolvimento económico e social do país.

Embora esteja a se verificar uma tendência decrescente da taxa de analfabetismo no país, o governante disse que isto não é ainda motivo para satisfação, daí estar-se a trabalhar afincadamente para que, nos próximos anos, a taxa decresça.

Recordou que, quando Angola conquistou a Independência Nacional, 85 em cada 100 angolanos não sabiam ler nem escrever (cerca de 85% da população), facto que levou as autoridades ao combate do analfabetismo, o que resultou na diminuição para 34% o número de iletrados, em 2014, segundo o Censo Populacional.

O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social referiu que o memorando de entendimento entre os dois ministérios enquadra-se no princípio do processo de ressocialização dos reclusos, por formas a preparar a população carcerária para um futuro socialmente responsável.

Ressocialização dos reclusos

O secretário de Estado do Interior, José Bamóquina Zau, informou que o combate pela alfabetização nos 41 estabelecimentos prisionais do país vai atingir 35% da população penal, na maioria jovens iletrados e sem o ensino primário concluído.

José Bamóquina Zau avançou que os cidadãos condenados têm prioridade. Estes vão aprender a ler e a escrever em 61 salas de aulas, bem como dispor de formação técnico-profissional, orientada por professores do I ciclo e prisioneiros com o 9º e 12º ano concluídos e níveis de preparação aceitáveis.

A assinatura do acordo está igualmente enquadrada na Campanha Nacional de Intensificação da Alfabetização e Alargamento da Rede de Parceiros, lançada em Novembro do ano passado, pelo Ministério da Educação, com o intuito de mobilizar as instituições estatais e privadas e a sociedade civil para o combate ao analfabetismo.

A ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, aproveitou a ocasião para entregar simbolicamente material didáctico à direcção do Estabelecimento Prisional de Calomboloca.

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