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Angola vai construir o Angosat-3 enquanto aguarda entrega do Angosat-2, que deverá ser lançado para o espaço em 2021, depois do falhanço do Angosat-1, cujo lançamento, em Dezembro de 2017, ficou para a história como o primeiro falhanço do arranque do programa espacial nacional. Este novo satélite tem como função a observação da Terra e pode revelar-se fundamental para lidar com problemas de desertificação, subida da água do mar ou determinar onde estão as riquezas do subsolo angolano.

A construção do Angosat-3, cujos custos ainda não foram divulgados, e cuja finalidade é a observação da Terra, foi já autorizada pelo Presidente João Lourenço, que, num despacho com data de 08 de Maio, formula as condições do contrato comercial da sua construção, lançamento e manutenção em órbita.

O processo de colocação no espaço daquele que será, se o lançamento do Angosat-2, previsto para 2021, decorrer sem falhas de maior, que impeçam a sua estadia funcional na órbita da Terra, o segundo satélite de telecomunicações angolano, foi entregue pelo Chefe de Estado ao Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.

Com este despacho, fica o ministro José Carvalho da Rocha encarregue de tutelar, preparar e assinar o contrato bem como toda a restante tramitação que leve à colocação do Angosat-3 em Órbita, que João Lourenço aponta como sendo, segundo se pode ler no despacho, fundamental para a “estratégia Espacial da República de Angola 2016-2025”.

Esta estratégia é vista, reforça o despacho, como um contributo importante para o “desenvolvimento dos sectores produtivos e não produtivos” e para a “gestão eficiente dos recursos minerais, navegação marítima e aérea, bem como para um melhor planeamento territorial, controlo e defesa das zonas transfronteiriças”.

No entanto, como tem vindo a ser acompanhado e noticiado pelo NJOnline, o programa espacial angolano sofreu já um sério revês quando, em 26 de Dezembro de 2017, a indústria espacial russa, lançou, desde o cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, o Angosat-1 para o espaço, tendo este, depois de colocado em órbita, sofrido uma avaria irreparável.

Por fim, em Fevereiro de 2018, o Angosat-1 foi dado como morto e enterrado nas profundezas do espaço, sem remédio mas com Angola a garantir que a sua parte financeira estava salva por um sólido contrato e um seguro de 121 milhões de dólares.

O contrato, salvaguardado pelo seguro, obrigava os russos da Rosoboronexport, empresa estatal responsável pelas exportações militares russas, que contratou à igualmente russa RSC Energia, empresa que lidera o consórcio responsável pela construção do engenho, a fornecerem um novo satélite sem custos adicionais para a parte angolana.

Após esta garantia, com relativa surpresa, a Governo angolano veio revelar, no início de Fevereiro deste ano, que, afinal, o engenho espacial está a ser construído pela europeia Airbus e vai para o espaço em 2021.

Segundo o ministro das Telecomunicações e Tecnologias da Informação, o Angosat-2 vai custar 320 milhões de dólares num negócio que envolve os primeiros fabricantes do satélite de telecomunicações e cujo contrato pressupunha, como o NJOnline avançou em Fevereiro de 2018, a construção de um novo em caso de falhanço daquele que deveria ser o trampolim de Angola para o grupo de Nações com presença no espaço.

Esta mudança inusitada, e ainda sem uma explicação oficial, de fabricante surge num contexto em que a informação que existia, profusamente divulgada pela imprensa russa, era a de que o novo satélite angolano iria ser construído também pelo consórcio liderado pela RSC Energia e seria fornecido a Angola já em órbita, com melhorias técnicas incorporadas em relação ao Angosat-1, mas sem a imposição de pagamentos adicionais por parte do Governo angolano.

O que observam os satélites de observação da Terra?

Quando Angola chegar ao espaço, serão, segundo dados do UNOOSA, um índex online que monitoriza a presença de objectos artificiais no espaço, 82 os países com capacidade de monitorização de alguma forma da actividade terrestre, embora apenas 65 listados como tendo capacidade de operar satélites.

Na lista dos países com mais satélias em órbita, os EUA lideram, com 859, a Chima segue-se com 250, a Rússia surge em 3º com 146, e o Jatão, a Índia e o Reino Unido chegam depois com, respectivamente, 72, 55 e 52 objectos espaciais.

A característica mais proeminente dos satélites com as funções de observação da Terra é a de permitir obter uma visão alargada da geografia terrestre, com detalhe que pode ir desde o avanço das queimadas, da subida das águas do mar devido às alterações climáticas ou, por exemplo, analisar o potencial mineiro de uma determinada área, o que, para Angola, se poderá revelar de extrema importância, bem como determinar as melhores áreas para os diversos tipos de agricultura ou agro-pecuária.

Alias, segundo as conclusões do simpósio “Living Planet”, organizado pela Agência Espacial Europeia (ESA), em Praga, na República Checa, em 2016, os satélites de observação da Terra são a ferramenta mais precisa para responder a perguntas fundamentais relacionadas com o clima, os oceanos, a atmosfera e o interior da terra.

Neste simpósio ficou ainda em relevo o facto de a observação do planeta a partir do espaço, com as ferramentas correctas, se ter já revelado uma mais-valia para os negócios, havendo mesmo dados que apontam para uma melhoria a multiplicar por 10 na capacidade de decisão para investimentos em determinadas áreas.

Simoneta Cheli, chefe do programa da ESA, citada pela Euro News, defende que “as avaliações económicas feitas por agências importantes indicam que para um investimento no espaço de um euro existe um retorno económico, de benefícios da economia associada a produtos e serviços baseados em informação de satélite, de dez euros. Por outras palavras, um investimento de uma unidade com um retorno de dez”.

Isto resulta, por exemplo, de um aumento enorme da capacidade de prever colheitas, a determinação dos melhores terrenos para um determinado tipo de cultura, escolher entre plantar milho ou trigo…, antecipar o avanço do deserto, obter dados sobre a seca ou as cheias iminentes, a poluição nas cidades ou ainda radiografar o subsolo em regiões para determinar o potencial mineiro ou descobrir novas áreas de potencial mineiro, desde os diamantes ao ferro, etc.

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